Provas da existência e sobrevivência dos espíritos

7 03 2010

Aparentemente seriamos apenas o corpo com que vivemos neste mundo. Ora, tudo indica – e a analise química o comprova – que o nosso corpo é formado exclusivamente de matéria, como os demais corpos da Natureza. Verdade que essa matéria recebe a mais o influxo energético de uma substancia organizadora sutilíssima – o princípio vital -, absorvida naturalmente pelo organismo e que lhe comunica o dinamismo em virtude do qual se realizam todas as funções vitais; principio que existe, aliás, também nos outros seres vivos, vegetais e animais.

Mas a análise consciente e uma observação mais profunda mostram que no homem existe algo mais que matéria e princípio vital. O homem pensa e tem consciência plena de sua existência; relaciona idéias, estabelece conceitos, elabora juízos, constrói raciocínios, tira conclusões e, servindo-se de um instrumento maravilhoso, que é a linguagem, comunica tudo isto aos seus semelhantes. Nada que a isto, sequer, se pareça, ocorre no mineral bruto, na rocha inerte, como em nenhum vegetal, na mais esplêndida e frondosa arvore, no mais belo e florido “flamboyant”; como não existe nos animais, mesmo naqueles em que já aparecem alguns vislumbres de inteligência e afetividade, mas nos quais em realidade só existem sensações, vagas percepções, atividades puramente instintivas e uma inteligência muito rudimentar.

No homem, porém, é a inteligência elaborada, cultivada, plenamente desenvolvida, superior; ele pensa; e nele brilha a luz da razão.  

“Cogito, ergo sum.” – escreveu Descartes; Penso, logo existo (em tradução rigorosamente literal). Entretanto, o que devia estar no raciocínio do grande filósofo não pode deixar de ser o seguinte: – Penso; ora, a matéria por si mesma não pensa; logo, existe em mim, alem do corpo material, algo mais, que é o agente do meu pensamento; em virtude do qual, portanto, existo como ser inteligente e tenho plena consciência da minha existência. É um raciocínio perfeitamente lógico e conforme a mais pura razão humana. Deveria bastar para que nenhuma dúvida existisse no homem a respeito de que nele vive essencialmente um Espírito, isto é, um ser imaterial, porém, real, independente do corpo e a ele sobrevivente, e somente ao qual são inerentes as faculdades superiores da inteligência e da razão.

Outras faculdades existem ainda no homem, que nada têm a ver com a matéria, e que são funções de uma consciência individual superior, a todas sobrelevando o senso moral. Entretanto, muitos há que não crêem na realidade da própria existência, em Espírito imortal. Sim, há descrentes, que vivem na negação ou, tal vez, apenas em duvidas, pois no fundo do seu ser hão de ter a mesma aspiração, natural, de toda criatura: não morrer. Então Deus, em sua infinita bondade e amor, como Divina Providência, concedeu ao homem, com as manifestações espíritas, as provas cabais de que nele vive um Espírito, e que esse Espírito sobrevive à morte.

Manifestações de Espíritos ocorreram em todos os tempos, desde a mais remota Antigüidade, mas em caráter excepcional, ou consideradas de origem sobrenatural.

Em sua verdadeira causa, só eram conhecidas dos iniciados, nos chamados mistérios, dos templos de antigas civilizações. As Escrituras Sagradas estão cheias desses fatos. Indivíduos excepcionais – os profetas – serviam de intermediários entre os Espíritos e os homens e muitas coisas anunciavam como expressões da vontade de Deus; e uma das coisas então anunciadas foi que viria o tempo em que essa faculdade de intermediação se generalizaria, dando lugar a manifestações que ocorreriam insopitáveis, por toda parte, a sacudir as consciências e os corações dos homens, despertando-os para a grande realidade de um mundo espiritual. A profecia cumpriu-se e, após alguns casos isolados de uns poucos precursores, que não tiveram ampla repercussão, ocorreram nos Estados Unidos da América do Norte frutos notáveis que chamaram rapidamente a atenção. Ocorridos inicialmente no vilarejo de Hydesville, rapidamente se propagaram na cidade de Rochester e a outras importantes cidades da América do Norte; dali espalharam-se por toda a Europa, chegando primeiro a Inglaterra, a França, a Alemanha; em toda parte ocorreram, desde então, insopitáveis os fatos espíritas.

Que fatos são esses? – Antes de tudo são fenômenos consistindo em efeitos físicos diversos: ruídos, dando a impressão de arranhões, estalidos, pancadas, ou de passos, produzidos em portas, paredes, assoalhos, sem causa física conhecida; projeção ou trazimento (transportes) de objetos de diversas formas e naturezas – pedras, roupas, utensílios domésticos, jogais, moedas, alimentos e ate flores -, através de paredes, portas e janelas fechadas; movimentos de objetos sem contato visível, tanto leves como pesados, incluindo móveis, mesas, cadeiras, armários, balcões, etc.

A simples produção desses efeitos físicos nada provaria, em si mesmos, quanto à existência dos Espíritos, porquanto poderiam ser produzidos por forças outras, naturais e desconhecidas. Mas o fato singularíssimo de que e causa produtora dos mesmos se revela estar associada uma inteligência, que dirige a ação, e que essa inteligência e capaz de mostrar que e a alma de um morto, dando iniludíveis sinais de sua identificação, mostra que a sua verdadeira causa são os Espíritos. Hoje a sobrevivência da alma humana, outra coisa não é senão um Espírito encarnado, está amplamente demonstrada pelos fatos espíritas, investigados, ao contrário, com todo rigor cientifico por numerosos e eminentes sábios e investigadores do século passado e deste século. Após criteriosas investigações, céticos a principio, renderam-se os sábios ã evidência de que a vida continua além-túmulo e de que podem as almas daqueles que morreram neste mundo vir comunicar-se com os homens, com os seres queridos que deixaram na Terra, e, outrossim, com Espíritos especialmente prepostos, -por superiores desígnios de Deus, à missão de trazer-lhes a revelação dessa verdade.

A tal ponto ficou isso demonstrado nas experimentações dos sábios que um deles – entre os mais eminentes do século passado, Alfred Russell Wallace fez esta afirmativa categórica: “O Espiritismo está tão bem demonstrado como à lei da gravitação.” Em sua difusão rápida por todo o mundo, a notícia dos fenômenos surgidos em Hydesville chegaram também à França e ali se generalizaram, assumindo; sobretudo a modalidade das chamadas mesas girantes, ou seja: mesas que se moviam sem causa física aparente, mas sob a influência de uma força desconhecida, parecendo emanada de certas pessoas, especialmente dotadas. Mas as mesas eram também falantes, no sentido de que respondiam inteligentemente, por meio de suspensões, seguidas de certo numero de batidas convencionais de um dos pés as perguntas formuladas por pessoas presentes ao fenômeno.

Foi exatamente esse caráter inteligente assumido pelo fenômeno que levou o Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail a interessar-se e, logo depois, dedicar-se profunda mente ao seu estudo, como dos demais fenômenos espíritas, deduzindo deles todas as conseqüências filosóficas, morais e religiosas que eles comportam, com o auxilio dos próprios Espíritos, cujos ensinos, por ele ordenados e codificados, vieram a constituir o admirável corpo da Doutrina Espírita, consubstanciada em “O Livro dos Espíritos”, por ele publicado em 1a edição a 18 de abril de 1857, como se sabe, adotando, então, o pseudônimo de Allan Kardec.

Allan Kardec escreveu um outro livro, complementar do primeiro – “O Livro dos Médiuns” cuja Segunda Parte – Das Manifestações Espíritas é totalmente dedicada ao estudo circunstanciado dessas manifestações, isto é, de toda a fenomenologia espírita. É “O Livro dos Médiuns” a primeira obra sua que se deve consultar sobre esse importante assunto e, como obra geral, nenhuma outra existe que a supere, vindo logo depois o livro de Léon Denis, “No Invisível”. Seguem-se-lhes numerosas obras, quer gerais, tratando de toda a fenomenologia, quer particulares, quer dizer, tratando de determinados fenômenos, Sob este ultimo aspecto, vale citar, apenas como exemplos, os livros: de William Crookes – “Fatos Espíritas” em que são estudados fenômenos de efeitos físicos e especialmente o fenômeno de materialização do Espírito Katie King, com o auxílio, respectivamente, das mediunidades de Daniel D. Home e de Florence Cook; de Friedrich Zöllner – “Provas Cientificas sobre a Sobrevivência”, em que esse sábio físico e astrônomo alemão relata suas experiências com a médium Henni Slade, inclusive o extraordinário fenômeno de desmaterialização da mateira, tornando possível a penetração de corpos materiais par outros e a escrita direta sobre uma lousa, sem intermediário material algum; de Arthur Findlay – “No limiar do etéreo” , onde são relatados admiráveis de voz direta por intermédio de Johan C. Sloan, finalmente, o livro de Oliver Lodge – “Raymond” em que esse sábio físico inglês descreve experiências com diversos médiuns através das quais pode, com toda a evidencia, constatar a manifestação de seu filho Raymond Lodge, jovem engenheiro, morto em 1915, aos 26 anos, numa trincheira, em Flandres, Bélgica, durante a guerra de 1914;1918, tendo fornecido claros sinais de identificação de sua personalidade individual.

Vaga e confusa a principio, nos fenômenos das casas mal assombradas, a personalidade oculta começa a afirmar-se na tiptologia e depois na escrita; a adquire caracteres determinados na incorporação mediúnica e torna-se tangível nas materializações. Nessa ordem é que se tem desenvolvido os fatos, multiplicando-se, de modo a atrair a atenção dos indiferentes, a forçar a opinião dos céticos e a demonstrar a todos a sobrevivência da alma humana. – Essa ordem, a que se poderia chamar histórica:, e a que por nossa parte adotaremos em nosso estudo dos fenômenos espíritas.

Embora incompleta, a classificação acima é muito prática, porque também muito simples; aliás, o grande autor que foi Léon Denis, no estudo que fez na obra citada, considera outras modalidades de fenômenos nas classes que lhes são afins. Assim, por exemplo, no fenômeno da escrita considera tanto a escrita direta, que ele chama psicografia, enquanto Kardec pneumatografia , como a que ele chama escrita mediúnica, que, para Kardec, e a verdadeira psicografia.

Mas Denis continua: “Poder-se-ia igualmente dividir este – quer dizer, o estudo dos fenômenos espíritas – em duas categorias: os fatos de natureza física e os fatos intelectuais”. Nos primeiros, o médium desempenha papel passivo, é o foco de emissão, de que emanam os fluídos e as energias – com cujo concurso os invisíveis atuarão sobre a matéria e manifestarão sua presença. Nos outros fenômenos, o médium exerce função mais importante. É ele o agente transmissor dos pensamentos do Espírito; e (…) seu estado psíquico, suas aptidões, seus conhecimentos influem, às vezes, de modo sensível nas comunicações obtidas.

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. ed. Rio de Janeiro, FEB, item 83.

COMPLEMENTARES
02. DENIS, Léon. Fenômenos espontâneos. Casas mal-assombradas. -Tiptologia. In: . No invisível. Trad. de Leopoldo Cirne. 9. ed. Rio de Janeiro, PER, 1981. p. 202 – 203.

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